sábado, 18 de novembro de 2017

Santayana: Fux, saia da frente e deixe que o holofote foque a Constituição Federal

Sanguessugado do Mauro Santayana

 FIAT LUX, IUDEX FUX, FIAT LUX.


Destinado a ocupar a Presidência do Tribunal Superior Eleitoral de fevereiro a agosto do ano que vem, o Ministro Luiz Fux, do STF, se indagou, a respeito da eventual candidatura de Lula, em recente entrevista à jornalista Monica Bergamo:  

"Pode um candidato denunciado concorrer, ser eleito, à luz dos valores republicanos, do princípio da moralidade das eleições, previstos na Constituição? Eu não estou concluindo. Mas são perguntas que vão se colocar"...

A resposta seria sim, claro que pode, como já ocorreu com centenas de candidatos no passado.

Caso contrário, a justiça estaria admitindo que bastaria que uma mera denúncia - eventualmente anônima - de um desafeto, viesse a ser acatada,  para que se interrompesse, se inviabilizasse, em pleno pleito, ou antes dele, a carreira política de qualquer pessoa. 

Mesmo se provocadas pela pergunta, as divagações do Ministro Fux parecem sinalizar que a Justiça brasileira, ou ao menos parte dela, está disposta a correr o risco de atravessar um perigoso, temerário, Rubicão, e interferir não apenas no processo político mas no próprio rumo da História, mesmo que venha, com isso, a entregar o país ao fascismo nas eleições de 2018.

Se condenar Lula em segunda instância, por um crime que não cometeu - e, no limite do entendimento surreal do Juiz Sérgio Moro e do Ministério Público da Operação Lava Jato, ao menos não chegou a concluir - seguindo o mesmo raciocínio frouxo e esdrúxulo - que será visto aos olhos do mundo como um golpe branco, tão injusto e absurdo como o que derrubou Dilma em 2016 - a Justiça teria de, no mínimo, investigar e eventualmente condenar e igualmente impedir a candidatura do pré-candidato que se encontra em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, por ter recebido e depois estornado às contas bancárias do partido, substituindo-o por recursos do fundo partidário, dinheiro da JBS.          

Mas não parece ser esse o caminho que está disposta a percorrer, por estas plagas, a velha dama da espada e da balança.

Para não deixar dúvidas sobre que ovelha estava tosquiando, na mesma entrevista, depois de afirmar que o STF não deve fazer pesquisa de opinião pública para tomar suas decisões e que ele mesmo não pode julgar uma pessoa apenas ouvindo a sociedade, contraditoriamente o Ministro Luiz Fux fez questão de frisar - quem avisa amigo é - que o descrédito no Judiciário, derivado de uma eventual mudança de posição da Suprema Corte neste momento, a respeito da possibilidade de prisão a partir de condenação em segunda instância - tema também diretamente ligado ao futuro do próprio Lula - poderia levar o “povo” a “fazer justiça pelas próprias mãos”.

Pegando o fio da meada, ou melhor, da bola que o Ministro Fux inocentemente colocou em campo, como se não quisesse antecipar, embora já antecipando, o resultado da jogada, não seria o caso de se lembrar outras perguntas, começando pela mais óbvia, sobre o que ele tem a dizer sobre a diferença entre denunciados e condenados com trânsito em julgado? 

Ou de perguntar a que “povo” Sua Excelência se referiu na entrevista?

Afinal, não se pode confundir os ataques obscenos de grupelhos inspirados por um senso aparentemente comum e distorcido, que nada tem a ver com o bom senso, com a opinião dominante em nosso país.

Até porque 70 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet, e a maioria dos cidadãos não dispõe de tempo para ficar destilando ódio na “rede”. Há quem precise levantar-se cedo e trabalhar para cuidar dos filhos e pagar tributos, sim, no mínimo os que estão embutidos na eletricidade, na água, no arroz, no feijão e na farinha do pão que ganha com o suor do rosto.

Como qualquer  energúmeno que se assume de  certa “classe média” conservadora, entreguista,  viralatista, gosta de propalar, em maiúsculas, nas seções de comentários da internet, afirmando que só eles pagam impostos e obedecem à legislação, se auto-intitulando, enquanto isso, ainda por cima, cinicamente, “homens de bem”.

Ou será que o Ministro Fux estaria se referindo ao "povo" - de seletiva indignação - que o ódio a determinado partido político levou às ruas, vestido de verde e amarelo, com patos de borracha e babás de uniforme,  para derrubar Dilma, e que, apesar da sucessão de escândalos que se seguiram, nunca mais voltou?

Por outro lado, também se poderia perguntar a Sua Excelência se ele já percebeu que, no Brasil, de juristas à população de baixa renda, passando por empresários, policiais, procuradores, nem todo mundo apóia ou professa o rasteiro punitivismo savanarolista lavajatiano e o denuncismo deletério e destrutivo que se impôs e transformou em regra no país, em detrimento do Estado de Direito, da engenharia, da economia, dos empregos, da estratégia de longo prazo e dos perenes interesses nacionais, ou ao menos um terço da população não estaria disposta, segundo a maioria das pesquisas de opinião, a  expressar o seu inconformismo com o que está ocorrendo votando em Lula, apesar do permanente e implacável  massacre movido contra o ex-presidente nos tribunais, na mídia e  nas redes sociais.

Não se trata, aqui, caro Ministro, de atacar ou defender o PT.

Mas de evitar, pelo bem desta maltratada República que aniversaria hoje, que a justiça, caso impeça a  candidatura Lula por um crime difuso, inconcluso, condicional e polêmico, venha a interferir no processo político e eleitoral brasileiro e a apunhalar a Democracia, mudando, na caneta,  o rumo da história, entregando o país ao fascismo no final do ano que vem.

Até porque caso desistir da compra de um apartamento fosse crime, devolver dinheiro de doação de campanha oriundo de empresa investigada pela justiça, como já dissemos, depois que ele já estava na conta, também o seria.

Afinal, o que cabe, o que vem ao caso, segundo a absurda e consagrada jurisprudência da República de Curitiba, não é a prova, o cometimento, o crime, mas a suposta - na mente de quem  acusa - intenção do investigado.

É claro que, rezam antigas máximas latinas, ne procedat iudex ex officio; nemo debet - mesmo que indiretamente - esse iudex in própria causa.

Tendo, segundo ele mesmo, praticamente implorado apoio ao ex-ministro José Dirceu, ao deputado petista Cândido Vacarezza, e até, por carta, ao Presidente do MST, João Pedro Stédile - entre outros luminares da legenda - para ser indicado para o cargo que ocupa, ninguém esperava que o Ministro Luiz Fux fosse pagar ao PT pelo favor recebido.

Mas que ao menos se declarasse impedido, moralmente e por uma questão de princípios, de julgar - e evitasse, por pudor, opinar, ainda mais antecipadamente, a respeito de - processos que envolvessem tal partido e seu principal líder.

Ao menos pela razão de que a necessidade de provar o tempo todo que não está beneficiando seus benfeitores - tendo quase sempre obrigatoriamente que puni-los - poderia eventualmente afetar-lhe a isenção ou embotar-lhe o julgamento.

A justiça brasileira, com o STF à frente, precisa afastar-se da ambigüidade, das meias verdades, das meias palavras e das pressões circunstanciais, apesar das chantagens, parar de decidir  “contra legem” e voltar a adotar a luz da Constituição e a percorrer os estreitos, e muitas vezes penosos, caminhos da Lei, usando-a como bússola e farol para guiá-la na noite tenebrosa de uma nação enlouquecida, nos últimos quatro anos, pela hipocrisia, a ignorância, o preconceito e s ira, sob pena de abrir para o país, Senhor Ministro,  os portais do caos, da violência, do obscurantismo, do autoritarismo.

Fiat Lux na justiça brasileira e que Deus ilumine também a mente e o espírito de Vossa Excelência e de seus pares, porque o país está mergulhado em trevas e anseia por  um mínimo de decência, de responsabilidade, de equilíbrio e de razão.


Fiat lux, Iudex Fux, Fiat lux.

Eric Hobsbawm (1963): São Paulo e Recife.

feicibuqui do Rudá Guedes Ricci

Os paulistas têm dificuldades para entender o Brasil. A dificuldade aumenta quando se trata de entender o nordeste. Um problema cognitivo grave.

Hobsbawn, num texto de 1963, retrata ligeiramente o que percebeu como diferença abissal entre São Paulo e Recife. Um olhar estrangeiro normalmente não captura as nuances, mas percebe os traços mais gerais ao contrário daquele que está mergulhado até a medula no ambiente em que sempre viveu.

Vale a pena dar uma lida nas observações do historiador inglês:

RECIFE

"Qualquer pessoa que queira saber o que é uma região subdesenvolvida poderia começar pelo Recife, a capital do empobrecido Nordeste brasileiro. (...) Metade vive nos barracos indescritíveis (...). Como vivem ninguém sabe. (...) A população parece não ter tido uma refeição completa há dez gerações: raquítica, baixa e doente. Ao mesmo tempo, há sinais de rebelião. As bancas de jornal estão repletas de literatura de esquerda: Problemas da Paz e do Socialismo, China em Reconstrução e o jornal das Ligas Camponesas, que são fortes na região (mas há também abudância de Bíblias).

SÃO PAULO

É assombroso pensar que estou no mesmo país do Recife. Os arranha-céus brotam, as luzes de néon brilham, os carros (a maioria feita no Brasil) rasgam as ruas aos milhares, numa anarquia tipicamente brasileira. (...) Esta cidade gigantesca (...) e corrupta. Um líder político local [Adhemar de Barros], agora estimado pelos norte-americanos por seu anticomunismo, costumava fazer campanhas eleitorais com um slogan muito franco: "Rouba, mas faz". (...) O mercado interno para a indústria brasileira é extremamente pobre: aqui, até camisas e sapatos são vendidos a prazo. (...) Os interesses industriais brasileiros são os únicos que não parecem ter medo da revolução social ou de [Fidel] Castro. (...) De certa forma, eles me lembram dos velhos industriais radicais da Inglaterra do século XIX, que tinham o mesmo sentimento de ter a história ao seu lado. (...) O Brasil é um país muito estranho para previsões de visitantes casuais."


Além de sugerir paralelos com personagens atuais, a descrição indica os motivos para o nordeste rejeitar tucanos e Temer e se apoiar no lulismo. Na Era Lula, o BNDES aumentou em mais de 630% os recursos para a região, destinados a apoiar investimentos empresariais. Mesmo com este aumento incrível, a fatia de investimentos em relação ao bolo total do banco de fomento brasileiro chegou a.... 16%. Acho que dá o tom do descaso do centro-sul para com o nordeste.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Esse “Fora, Aébrio” é uma senha: não se metam com São Paulo.

GilsonSampaio

Na convenção estadual da tucanalhada paulista ouviu-se sonoro coral “Fora Aébrio”.  À primeira vista, pode-se até achar graça da desdita do mineiro, mas o buraco é mais em baixo.

Em todas as eleições passadas, à exceção da última, os candidatos da tucanalhada foram paulistas: Farol, Mitômano e Chuchu. De tanto se desgastarem ao apanharem seguidas vezes de Lula e Dilma, viram-se forçados a abrir espaço para um nome fora de São Paulo.

Único predicados bom de Aébrio era o fato de ter começado na política pelas mãos de seu tio Tancredo Neves, o resto é uma folha corrida só: Furnas e Cidade Administrativa para não estender muito a lista. Isto antes da lava-jato, pois agora figura como campeão de delações -  por volta de nove.

A pinta de bom moço sustentava-se apenas na mídia golpista, em Minas calou com truculência a mídia não comprometida e dizia-se que quem governava de fato era sua irmã Andreia – presa pela lava-jato. Enquanto isso, durante seu desgoverno, viajou cerca de 180 vezes para o Rio, onde foi filmado bebaço num bar do Leblon. Consta também um outro constrangimento maior proporcionado pela torcida mineira que entoou “Ô Maradona, vai se fuder, o Aécio cheira mais do que você” num jogo entre Brasil x Argentina.

Tem também uma história do aeroporto na fazenda do titio, associação com Perrela e o helicóptero com 450kg de cocaína.

Logo após ser derrotado, declarou publicamente que ia paralisar o congresso para ferrar com a Dilma, e... a tucanalhada bateu palma e agiu de acordo.

Com o golpe consolidado a tucanalhada se assanhou pensando em 2018, só não contavam com o título de hors concours em delações que Aébrio ganharia da lava-jato. Não duvidem, Aébio seria 'comido' pela tucanalhada paulista.

A tucanalhada paulista sempre esteve tranquila porque conta com a cobertura da justiça e da mídia, um de seus próceres mais canalha, quando descoberto em falcatruas, dizia: isso é tro-ló-ló de petista, e a vida seguia como se não houvesse nada de anormal com a justiça e a mídia.

Esse tro-ló-ló todo é pra dizer que esse “Fora, Aébrio” nas hostes tucanas não passa de engana trouxa, a tucanalhada, melhor que ninguém, sabia muito bem quem era Aébrio quando o elegeu presidente do PSDB.

Esse “Fora, Aébrio” é a reconquista do PSDB pela tucanalhada paulista.

Esse “Fora, Aébrio” é uma senha: não se metam com São Paulo.






sábado, 11 de novembro de 2017

O FIM DO BNDES E O GRANDE GOLPE DO BRASIL QUEBRADO

Sanguessugado do Mauro Santayana


 


(Revista do Brasil) - Nos últimos anos, e mais especialmente a partir de 2013, o Brasil tem se transformado, cada vez mais, no país de pequenos e grandes golpes, canalhas, sucessivos e mendazes.

Golpes na economia, golpes na soberania e na estratégia nacional, golpes contra a Democracia, que culminaram no grande golpe jurídico-midiático-parlamentar de 2016.

Mas, sobretudo, golpes contra verdade, a consciência popular, a própria realidade e a opinião pública, com a criação e disseminação de uma série de mentiras, fakes e falsos paradigmas, que se apoiaram mutuamente na fabricação do consentimento para a desconstrução destrutiva de um sistema político que, com todos os seus defeitos - aliás, como toda democracia - funcionava com um mínimo de governabilidade, de estabilidade institucional e de equilíbrio entre os poderes da República.

Golpes voltados para a sabotagem e destruição de um programa nacionalista e desenvolvimentista que levou o Brasil da décima-quarta para a sexta economia do mundo, em termos nominais, em 9 anos, apoiado no retorno, do país, à construção de plataformas de petróleo, hidrelétricas de grande porte, ferrovias, refinarias, tanques, submarinos, navios, rifles de assalto, caças, cargueiros aéreos militares, multiplicando o crédito, dobrando a produção agrícola, triplicando a produção de automóveis, com relação a 2002.          

Da imensa usina de contra-informação fascista montada, principalmente, a partir de 2013, saíram - e continuam a sair - milhares de calúnias, seguindo uma estratégia não escrita, em que pequenas “notícias” cotidianas, a maior parte delas surreais, disseminadas pela má fé, o ódio e a hipocrisia, realimentam, permanentemente, principalmente nas redes sociais, grandes correntes e paradigmas midiáticos que adquiriram o ar de certeza para a parcela mais ideologicamente imbecil, quanto mais apaixonadamente ignorante, da população brasileira.       

Uma das principais pós verdades vendidas para esse  público, hoje já transformada em discurso e adotado como bandeira e muleta pelo atual governo e boa parte da mídia, é de que o Brasil estaria totalmente inviabilizado economicamente, e, logo,  necessitado de passar por um urgente programa de “reformas” e de venda de ativos - públicos e privados - para sair do buraco em que deixaram o país os dois últimos presidentes da República.

Ora, quebrados, ou quase isso, estávamos no último ano de governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso - quando o PIB nacional, depois de um nefasto programa  de “reformas” e do maior programa de “privatizações” - na verdade, de desnacionalização - da economia brasileira em 500 anos encerrou o ano com um PIB nominal e uma renda per capita em dólares - segundo Banco Mundial - menor do que tinha oito anos antes, no final do governo Itamar Franco, e com além de uma dívida com o FMI de 40 bilhões de dólares. 

Hoje, o Brasil tem 380 bilhões de dólares  - mais de um trilhão de reais - em reservas internacionais e é ainda, com toda a crise, a nona economia do mundo.
Entre as 10 principais economias do planeta, grupo em que nos incluímos depois de 2002, pelos menos 7 países - EUA, Japão, Reino Unido, França, Itália, Canadá - têm uma dívida pública maior que a nossa. 

O salário mínimo e a renda per capita são maiores, em dólares, agora, do que no final de 2002 e as dívidas bruta, externa e líquida são menores do que eram quando Fernando Henrique deixou o poder.

Mas a mídia, os ministros, os “especialistas” e “analistas” do “mercado”, insistem em afirmar, a todo o momento, exatamente o contrário, que estamos redondamente quebrados, e que a dívida nacional explodiu, por terem, talvez, na verdade, a mais descarada certeza de que conseguiram realmente nos transformar impunemente, nos últimos quatro anos, a todos os brasileiros, em uma populosa nação de 220 milhões de idiotas.     

Afinal, há muita diferença entre dificuldades fiscais momentâneas, em termos históricos, causadas, entre outras coisas, por um programa de desonerações fiscais equivocado, que deixou um déficit muito menor do que está hoje - entre outras razões por volumosos aumentos de salários para o Judiciário e o Ministério Público aprovados depois que Temer chegou ao poder - e os dados macroeconômicos de um Brasil que já emprestou dinheiro ao FMI e ocupa o posto de quarto maior credor individual dos EUA, como se pode ver pesquisando a página oficial do tesouro dos Estados Unidos, procurando pela expressão mayor treasuries holders no Google.    

A razão pela qual o governo - e o sistema de contra-informação fascista, na internet principalmente - não alardeiam, para a maioria, a base, da população, o excelente nível de reservas internacionais é óbvia.    

Essa informação contradiz frontalmente o mito de que Lula, Dilma e os governos do PT quebraram o Brasil, a ponto de deixar o país de chapéu na mão.

E anula, praticamente, a justificativa que está por trás de um programa apressado, antidemocrático - porque a sociedade não está sendo ouvida - e antipatriótico de  privatizações que está entregando o Brasil a toque de caixa e  preço de banana podre para os estrangeiros, como ocorreu, por exemplo com a venda da maior refinaria de resina PET da América Latina, recém inaugurada pela Petrobras, na qual se gastou 9 bilhões de reais, por apenas 1.3 bilhão de reais para capitais mexicanos, no final do ano passado, provocando um prejuízo, apenas nesse caso, 3 vezes superior àquele que teoricamente teria sido gerado por Dilma no caso Pasadena, se ela já não tivesse, a bem da verdade, sido isentada pelo TCU dessas acusações.

Ou da entrega - por meio de um discurso entreguista tão hipócrita quanto calhorda - de reservas de petróleo do pré-sal para empresas 100% estatais de outros países como a Noruega e a China, enquanto, para consumo interno, defende-se a “desestatização” da Eletrobras e a própria Petrobras, com a alegação de que o capital privado seria mais honesto e competente.

Tudo isso, em um país em que, paradoxalmente, com base em uma campanha jurídica eivada de primeiras, segundas e terceiras  intenções políticas, se acaba de destruir cinicamente - e em alguns casos, desnacionalizar - a base do capital privado nacional e da mega                                 engenharia brasileiras, justamente por serem consideradas, as duas, fontes de corrupção e de ser excessivamente dependentes do governo.

São essas mesmas razões - a mentira e a manipulação e a necessidade de sustentar o mito de que o PT quebrou o país  -  - que fazem com que o governo e a mídia deixem de mencionar, ou tentem esconder da maior parte da população, que Temer e Meirelles herdaram dos governos Dilma e Lula - quando assumiram o poder depois do golpe de 2016 - um BNDES extremamente poderoso e eficiente, com centenas de bilhões de reais em caixa.

Recursos que eles estão raspando dos cofres do nosso maior banco de fomento, enviando-os  “antecipadamente” para o Tesouro, com a desculpa de estar diminuindo a  dívida pública, quando ela é menor hoje do que em 2002 e esse dinheiro fará quase ou nenhuma diferença em  percentual de dívida com relação ao PIB, ao fim desse estúpido, gigantesco, austericídio.

Não é preciso lembrar ao Ministro da Fazenda - que recebeu mais de 200 milhões de reais em “consultoria” no exterior nos últimos três anos - que o BNDES foi criado, em 1952,  no segundo governo Vargas, para promover o desenvolvimento econômico e social do país, e não para gerar recursos para o pagamento de uma dívida pública que ainda se encontra,  como é o caso da nossa, em uma classificação mediana do ponto de vista internacional - se a dívida pública federal chegou a 3.4 trilhões em julho, e o PIB do segundo trimestre foi de 1.6 trilhões (ou pouco menos de 7 trilhões) o que o país deve equivale a pouco mais de 50% do Produto Nacional Bruto.

Como não é preciso recordar que bancos precisam de dinheiro para funcionar e que, retirar deles esses recursos, nesse caso, capitais públicos, equivale a fechar as suas portas.    

Nem que, assim como no caso da justificativa imbecil da queda de Dilma por “pedaladas” fiscais, o dinheiro que está no BNDES, ou no Tesouro, pertencem ao mesmo dono - o povo brasileiro - e que o que importa não é ficar fingindo que se tratam de  coisas diferentes, mas, no frigir dos ovos, gerir esses recursos, economizados nos últimos anos, em benefício de todos os cidadãos e não de firulas contábeis para se posar de bons moços para o “mercado”.

Em um momento em que o país, com mais de 14 milhões de desempregados, padece com centenas de bilhões de dólares em projetos importantíssimos - muitos deles estratégicos -  paralisados irresponsavelmente por decisão da justiça nos últimos três anos, e precisa desesperadamente de recuperar suas maiores empresas e de mais infraestrutura e vagas de trabalho.      

A intenção de acabar, na prática, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, estrangulando-o enquanto principal instrumento estratégico para a competitividade brasileira,   não atende apenas aos interesses de nossos concorrentes externos.

Ela acompanha a  estratégia - seguida pelo atual governo desde que assumiu, de enfraquecer também o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, para justificar a sua privatização, ou, no mínimo,  “equilibrar” o “mercado”,  aumentando  a fatia dos bancos privados - nacionais e estrangeiros - no sistema financeiro nacional.

Não por acaso Gustavo Franco acaba de declarar, em seminário em Belo Horizonte, que o BB está pronto para privatização e não é também por coincidência que contratos do Minha Casa Minha Vida tem sido sistematicamente atrasados pela Caixa e anunciou-se nesta semana que o financiamento de imóveis usados na Caixa agora só chegará, no máximo, a 50% do valor do bem a ser adquirido.


A classe “média”, principalmente, aquela parcela que se assume como vanguarda do fascismo nas redes sociais, ou está engolindo a seco, ou deve mesmo estar satisfeita com essas notícias, e também com outras novidades desse “novo” Brasil, ordeiro e progressista, como a volta dos frequentes, quase semanais, aumentos do preço dos combustíveis da Petrobras para as distribuidoras, rapidamente repassados pelos postos para as distribuidoras, tão comuns na última década do século passado.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Justiça dos 3T's: traição, totalitarismo e trambique

Sanguessugado do Senhor X

Fernando Rosa

 “A revolução sem sangue é aquela em que você usa as instituições dentro das suas próprias missões para mudar o caminho civilizatório do nosso país”. A pérola pseudo-“pacifista” é de autoria do senhor Rodrigo Janot, em palestra no 2º Congresso Nacional dos Auditores de Controle Externo, em Cuiabá. Como o peixe morre pela boca, o ex-procurador da República acabou por definir o que ele, e seus agentes de Curitiba, estão fazendo com o Brasil.

As reservas de petróleo do Iraque alcançaram 153 bilhões de barris, informou o ministro do Petróleo do país, Jabar al-Luaibi, no início de 2017, segundo a mídia na época. Em 2017, segundo o Instituto Nacional de Óleo e Gás da UERJ, o pré-sal do Brasil continha 176 bilhões de barris de petróleo e gás, o que não apenas se confirmou, mas aumentou. Os dois países estão entre os maiores detentores de reservas de petróleo do mundo, naturalmente alvos da cobiça do Império norte-americano.

Os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 e, desde então, mobilizaram entre 100 mil e 150 mil soldados até 2010, quando “encerraram” a guerra em 2010. O custo do assalto ao petróleo do Iraque, sem contar a Guerra do Golfo, chegou US$ 800 bilhões, segundo o Congresso norte-americano, ou US$ 3 trilhões considerando os impactos adicionais na economia. Os mortos na guerra chegaram a mais de 100 mil iraquianos, entre civis e militares, até julho de 2010 e cerca de 4.500 mil soldados yanques.

De fato, considerando as dimensões do “custo-benefício” da apropriação da mais disputada riqueza mundial, o senhor Rodrigo Janot tem razão em suas observações. Ele também acerta quanto aos métodos utilizados, realmente bem mais “em conta” quando se refere a utilização das “instituições dentro das suas próprias missões para mudar o caminho civilizatório do nosso país”. Nos dois casos, leia-se por “caminho civilizatório” a submissão econômica, a destruição do Estado e o fim da soberania nacional dos países atacados.

Em março de 2017, segundo o articulista José Carlos Lima, no portal GGN, a Operação Lava Jato já acumulava R$ 140 bilhões de prejuízo ao pais, enquanto trombeteava “recuperação” de R$ 200 milhões. No mesmo artigo o autor destacava danos de cerca de 13% do PIB, relativos aos setores de petróleo e gas, ou seja, algo na casa dos trilhões de reais. A “tempestade nos trópicos” comandada por Janot, Moro e Dallagnol, entre outros, também atingiu a indústria de defesa, naval e o nível de empregos.

No artigo “Duas guerras”, de janeiro deste ano, escrevemos que “as duas maiores e mais agressivas guerras imperialistas em desenvolvimento neste momento no mundo ocorrem na Síria e no Brasil”. “As duas, no entanto, utilizam-se de estratégias, métodos e ferramentas diferentes – uma tradicional, outra assimétrica, o que dificulta percepção dos brasileiros”. Mas, dissemos que “ambas têm o mesmo objetivo, que é a destruição das infraestruturas, das forças produtivas dos respectivos países”.

Também no artigo, advertimos que “no caso do Brasil, a guerra assimétrica conta com agentes internos capturados e uso das instituições, em especial do judiciário, incluindo juízes e procuradores, e da mídia”. “A mídia, em especial a Rede Globo, funciona como a artilharia tradicional, atirando diariamente contra instituições, políticos e lideranças”. “A Operação Lava Jato cumpre o papel de “mariners” ocupando “territórios” selecionados e destruindo segmentos industriais e lideranças empresariais e políticas”, concluía o artigo.


Em seu falatório, voltando ao ex-procurador Rodrigo Janot, ele ainda tentou convencer o público presente dizendo que “o Brasil de hoje é um Brasil muito diferente de dez anos atrás”. “Há dez, 15 anos atrás, todo mundo dizia: a Justiça brasileira é a Justiça dos ‘3 Ps’. Quem é mais velhinho aqui vai lembrar disso. É pobre, preto e prostituta”, disse ele. Janot até poderia ter razão se a Justiça do “3 Ps” não tivesse se transformado na Justiça dos ‘3 Ts’ – traição, totalitarismo e trambiques, situações cada dia mais evidentes.